quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Especial dia do Historiador: Um pouco Sobre Joaquim Nabuco


Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo (Recife, 19 de agosto de 1849 — Washington, 17 de janeiro de 1910) foi um brasileiro político, diplomata, historiador, jurista, jornalista e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras. Foi um dos grandes diplomatas do Império, além de orador, poeta e memorialista. Além de "O Abolicionismo", "Minha Formação" figura como uma importante obra de memórias, onde se percebe o paradoxo de quem foi educado por uma família escravocrata, mas optou pela luta em favor dos escravos. Nabuco diz sentir "saudade do escravo" pela generosidade deles, num contraponto ao egoísmo do senhor. "A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil", sentenciou.


"O verdadeiro patriotismo é o que concilia a pátria com a humanidade"

Nabuco era um monarquista e conciliava essa posição política com sua postura abolicionista. Atribuía à escravidão a responsabilidade por grande parte dos problemas enfrentados pela sociedade brasileira, defendendo, assim, que o trabalho servil fosse suprimido antes de qualquer mudança no âmbito político. A abolição da escravatura, no entanto, não deveria ser feita de maneira ruptúrica, ou violenta, mas assentada numa consciência nacional dos benefícios que tal resultaria à sociedade brasileira. Também não creditava a movimentos civis externos ao parlamento o papel de conduzir a abolição. Esta só poderia se dar no parlamento, no seu entender. Fora desse âmbito cabia somente assentar valores humanitários que fundamentariam a abolição quando instaurada. Criticou também a postura da Igreja Católica em relação ao abolicionismo, chamando-a de "a mais vergonhosa possível",pois ninguém jamais a viu tomar partido dos escravos. E emendou:

"A Igreja Católica, apesar do seu imenso poderio em um país ainda em grande parte fanatizado por ela, nunca elevou no Brasil a voz em favor da emancipação".


Nabuco, ao lado de Ruy Barbosa, assumiu posição de destaque na luta pela liberdade religiosa no Brasil que, na época, tinha a religião católica como oficial, constituindo-se em um Estado confessional. Assim como Ruy Barbosa, Nabuco defendia a separação entre Estado e Religião, bem como a laicidade do ensino público. Em um discurso proferido em 15 de maio de 1879 que abrangia tanto o tema da educação pública, quanto o da separação entre Estado e Religião, a um aparte de vários deputados, responde:

"Eu desejava concordar com os nobres deputados, em que se deveria deixar a liberdade a todas as seitas; mas, enquanto a Igreja Católica estiver, diante das outras seitas, em uma situação privilegiada (…), os nobres deputados hão de admitir que (…) ela vai fazer ao próprio Estado, de cuja proteção se prevalece, uma concorrência poderosa no terreno verdadeiramente leigo e nacional do ensino superior. Se os nobres deputados querem conceder maiores franquezas, novos forais à Igreja Católica, então separem-na do Estado."



FONTE: Wikipédia e as obras relacionadas abaixo.

2 comentários:

  1. Olá, Ludmila
    Primeiramente parabéns pelo blog e pelos textos. Em segundo lugar, parabéns pelo projeto Museu da Morte.Iniciativas como essas honram e muito o valor da história regional do Vale, uma história tão rica e diversa como qualquer outra.
    Eu queria aqui só lembrar um ponto na vida de joaquim Nabuco: após a Proclamação da República ele foi progressivamente aderindo á Igreja Católica e seu projeto de romanização, mesmo que um pouco timidamente. Ironicamente, Nabuco, conhecido no império com grande porta-voz do liberalismo e do anti-clericalismo, veio a falecer na república como membro ilustre do conservadorismo e da romanização.

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  2. Olá Vinicius,

    Muito obrigado pela sua contribuição completando uma pouco sobre este personagem curioso, escolhido para ser o patrono dos historiadores brasileiros. Os intelectuais mudam de pontos de vista, pois as transformações estruturais mudam a massificação da mentalidade mesmo.

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