quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Historiografia Marxista


Não é uma linha que costumo seguir em meus estudos historiográficos, mas através dos pedidos realizados por meus leitores vou oportunizar uma análise da mesma. É importante ressaltar que Karl Marx não pode ser visto como um socialista como Fidel Castro, isto é algo que muitos acadêmicos fazem e com isto não compreendem a verdadeira essência da ideologia Marxista.

A teoria marxista da História compreende entre várias teses a teoria da História Materialista, (materialismo histórico), que foi uma proposição efetuada por Marx e que institui uma abordagem economicista para a história da Humanidade. A historiografia marxista ofereceu uma perspectiva importante para a compreensão do passado. Esta mostrou a importância das massas nos feitos históricos e mostrou que grandiosos homens hoje homenageados não fizeram a história sozinhos. Muito embora o marxismo tenha conseguido perceber as massas populares como integrantes ativos na construção da história, embora dominados ou alienados, não empregou um olhar que ia muito além das balizas teóricas e ideológicas pertinentes ao que se tinha como quase dogma entre os inspirados seguidores de Marx.

No entanto, a ênfase econômica dos estudos realizados pelos historiadores marxistas não abarcou todos os aspectos da vida das sociedades ao longo da história. O fato é que aspectos também importantes da vida cotidiana das sociedades na história não estavam dentro do foco marxista e uma nova história passou a ser escrita. Atualmente, com novos e ousados métodos de estudo, os aspectos ordinários, culturais, e não apenas os singulares também interessaram aos novos historiadores e aos historiadores pós-modernos. Atualmente há uma tendência nada produtiva de se partir para o desprezo a qualquer coisa que “pareça” marxista desde o “fim” da esperança do socialismo real. Seja como for, o fato é que a história que se produz hoje atingiu um espectro de abrangência fabulosa e colocou quase todos os segmentos sociais em seu âmbito.
O marxismo está grávido em grupos. Tem-se desde as concepções estruturalistas de Althusser até às concepções culturalistas de Thompson, passando é claro pelas concepções políticas de Gramsci. Assim, dizer que o método de análise marxista é puramente economicista é um erro grave de quem nunca leu o marxismo em sua amplitude. O marxismo como método de análise da realidade concreta deve considerar o tempo histórico como aspiral, mas percebe-se que muitos autores - intitulados marxistas - tratam do tempo histórico com uma linearidade que muitas vezes parece positivista e evolucionista, negando, assim, sua dialética materialista. O marxismo tem ser que analisado com bastante cuidado, principalmente na historiografia atual, mas esse modismo culturalista implementado pela 4ª geração da escola dos annales também. A cultura é importante, mas quando desenvolvida como modo de vida, que segue a lógica do que os próprios Marx e Engels - idealizadores do método - diziam em A Ideologia Alemã: a história da humanidade tem que ser analisada tendo como pressuposto real homens vivos, mas para que estes homens vivam eles precisam comer, beber, se vestir, ter moradia e relacionar-se numa espécie de intercâmbio com a natureza e com o próprio homem, criando os instrumentos de produção de sua vida material e perpetuando a espécie. Comer, beber, se vestir, em suma, viver, então, são aspectos da cultura de um povo e não somente da economia. Mas é bom lembrar que a cultura é produto da sociedade, e esta é estruturada (genericamente podemos usar o termo formada) pela economia. Ou seja, todos os costumes de um homem são produto de sua cultura, que é produto de sua sociedade, que é produto da economia. Um erro muito grave que encorrem os críticos do marxismo é na acusação de que ele tenta simplificar a hitória. Na verdade, são estes críticos que simplificam o marxismo.

Bibliografia na página de livros do Blog (encontrado na primeira página)

Em minha busca sobre algum material interessante, encontrei um slide muito interessante da Profª Marta Izabel Schneider Fiorentin da UNIPAR. Abaixo você poderá baixar o material:

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